O zumbido no ouvido é uma das queixas que mais escuto no consultório,
no entanto muitas vezes de forma subestimada, com relatos de pacientes acreditando que o zumbido faz parte da idade, do estresse ou que “não tem muito o que fazer”.
E esse é um ponto importante: o zumbido não deve ser encarado como algo normal, principalmente quando se torna recorrente ou começa a interferir na qualidade de vida.
Isso porque mais do que um incômodo, o zumbido costuma ser um sinal de alerta de que algo no sistema auditivo que precisa ser investigado com atenção para definir condutas e evitar complicações.
O que é o zumbido no ouvido?
Chamamos de zumbido (ou, de forma técnica, de tinnitus), a percepção de um som que não tem origem externa e que pode ser descrito como apito, chiado, campainha, ruído contínuo ou até como uma pulsação sincronizada com o coração.
É importante esclarecer que o zumbido não é uma doença, mas sim um sintoma, que pode estar associado a diferentes condições auditivas, neurológicas, metabólicas ou vasculares.
Por isso, cada caso precisa ser avaliado de forma individualizada.
Principais tipos de zumbido
O zumbido pode ser classificado de acordo com suas características, o que auxilia na investigação da causa:
- O zumbido subjetivo é o mais comum e só é percebido pelo paciente. Geralmente está relacionado a alterações no sistema auditivo.
- O zumbido objetivo é mais raro e pode ser percebido pelo examinador, estando associado a alterações vasculares ou musculares.
- O zumbido pulsátil acompanha o ritmo do batimento cardíaco e merece atenção especial, pois pode indicar causas vasculares.
Causas mais comuns do zumbido no ouvido
As causas do zumbido são variadas e, muitas vezes, multifatoriais; dentre as mais frequentes destaco:
- Perda auditiva, especialmente relacionada ao envelhecimento ou à exposição a ruídos intensos.
- Exposição prolongada a sons altos, como uso frequente de fones de ouvido em volume elevado.
- Cerume (acúmulo de cera no ouvido).
- Infecções ou inflamações do ouvido médio ou interno.
- Doenças da orelha interna, como a Doença de Ménière.
- Alterações da articulação temporomandibular (ATM).
- Uso de medicamentos com potencial ototóxico.
- Distúrbios metabólicos, como alterações da tireoide, glicemia ou colesterol.
- Problemas vasculares, especialmente nos casos de zumbido pulsátil.
- Estresse, ansiedade e distúrbios do sono, que podem agravar ou perpetuar o sintoma.
Nem sempre é possível identificar uma única causa, o que reforça a importância de uma avaliação especializada.
Sintomas que costumam acompanhar o zumbido
Raramente o zumbido aparece sozinho, muitos pacientes relatam, junto com o som no ouvido:
- Dificuldade para ouvir ou compreender sons e conversas.
- Sensação de ouvido tampado ou pressão auricular.
- Tontura ou desequilíbrio.
- Dor de cabeça frequente.
- Dificuldade para dormir e sono não reparador.
- Irritabilidade, ansiedade e queda da qualidade de vida.
A presença desses sintomas auxilia na definição do diagnóstico e na escolha do tratamento.
Como o diagnóstico do zumbido é estabelecido?
A investigação do zumbido começa sempre por uma escuta atenta da história do paciente: características como tipo do som, início, duração, fatores de piora e sintomas associados são fundamentais.
Em seguida, realizo o exame físico completo do ouvido, nariz e garganta e, quando indicado, solicito exames complementares, como:
- Audiometria e outros testes auditivos para avaliar a função da audição.
- Exames de imagem, quando há suspeita de causas estruturais ou vasculares.
- Exames laboratoriais, caso haja suspeita de alterações metabólicas ou sistêmicas.
Essa abordagem permite identificar não apenas a origem do zumbido, mas também condições associadas que precisam ser tratadas em conjunto.
Por que o otorrinolaringologista deve ser o primeiro especialista a ser procurado?
O otorrinolaringologista é o médico especializado no ouvido, nariz e garganta, sendo o profissional mais capacitado para avaliar o sistema auditivo de forma global.
Como grande parte dos casos de zumbido tem origem auditiva ou envolve estruturas do ouvido, o otorrino consegue:
- Identificar causas simples e tratáveis, como cerúmen ou infecções.
- Avaliar a presença de perda auditiva associada.
- Determinar quando o zumbido pode ter origem fora do ouvido.
- Definir se há necessidade de encaminhamento para outros especialistas.
Quando indicado, o otorrinolaringologista pode trabalhar de forma integrada com neurologistas, cardiologistas, endocrinologistas, dentistas especializados em ATM, fonoaudiólogos e psicólogos, garantindo uma abordagem completa e segura.
Opções de tratamento para o zumbido no ouvido
O tratamento do zumbido depende diretamente da sua causa e das condições associadas, não existe uma solução única, mas sim
estratégias que precisam ser individualizadas.
Entre as abordagens mais utilizadas estão:
- Tratamento da causa identificada, como infecções, alterações metabólicas ou problemas vasculares.
- Aparelhos auditivos, especialmente quando há perda auditiva associada.
- Terapias sonoras e reabilitação auditiva.
- Controle do estresse, da ansiedade e dos distúrbios do sono.
- Ajustes medicamentosos quando há uso de drogas ototóxicas.
- Orientações sobre hábitos de vida e exposição sonora.
Em muitos casos, o objetivo não é eliminar completamente o som, mas reduzir sua intensidade e o impacto na qualidade de vida, o que já representa um resultado clínico bastante significativo.
O que pode acontecer ao postergar o diagnóstico e o tratamento?
Ignorar o zumbido recorrente pode levar à cronificação do sintoma, tornando-o mais difícil de controlar ao longo do tempo.
Além disso, a demora na investigação pode atrasar o diagnóstico de condições importantes, como perda auditiva progressiva, doenças metabólicas ou alterações vasculares.
O impacto emocional também não deve ser subestimado, já que o zumbido persistente está associado a maior risco de ansiedade, depressão e distúrbios do sono.
Quanto mais cedo o zumbido é avaliado, maiores são as chances de controle e de preservação da qualidade de vida.
Zumbido no ouvido tem tratamento
A avaliação com um otorrinolaringologista permite entender a origem do problema, definir estratégias de tratamento e, quando necessário, envolver outros especialistas de forma direcionada.
Lembre-se: buscar ajuda especializada no início do quadro faz toda a diferença nos resultados e na evolução clínica.